Engenharia pode ajudar a prevenir desastres

Impactos ambientais e socioeconômicos podem ser evitados com gerenciamento de riscos e aplicação prática dos conceitos da matemática.

O período chuvoso no Brasil, entre outubro e março, é quando há maior risco de ocorrências devido aos desastres naturais, como enchentes e deslizamentos de terra, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os impactos ambientais e socioeconômicos acendem o alerta para a importância de intensificar o trabalho de prevenção desses eventos.

O início de 2022 foi marcado por fortes chuvas em cidades dos estados de Minas Gerais, Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. De acordo com informações divulgadas pelos governos estaduais, milhares de pessoas foram afetadas: famílias ficaram desabrigadas e houve registros de vítimas fatais.

Esta não é a primeira vez que a população brasileira é castigada pelas chuvas. Estudo realizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) avaliou as consequências sociais e econômicas dos desastres naturais no período entre 2010 e 2019. Ao longo da década, o prejuízo financeiro foi estimado em R$ 307 bilhões, e o número de vidas perdidas foi de 1.734.

De acordo com o Inmet, embora as ações da natureza sejam inevitáveis, é possível minimizar os impactos para a sociedade por meio do investimento em “pesquisa, planejamento, monitoramento e previsões de tempo e clima mais eficientes”.

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Desastres não-naturais

Os desastres não naturais também merecem atenção. Nesta denominação, estão incluídas situações decorrentes de ações humanas, como o rompimento de barragens, incêndios industriais e contaminações de rios.

Segundo informações do Ministério Público Federal (MPF), em 2015, o Brasil viveu o maior desastre ambiental de sua história, quando houve o rompimento da barragem de Fundão, localizada na cidade de Mariana (MG), de responsabilidade da mineradora Samarco.

O colapso da estrutura desencadeou uma onda de rejeitos que chegou ao Rio Doce, atingiu várias localidades e destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues. Com o desastre, muitas famílias ficaram desalojadas e 19 pessoas morreram.

Quatro anos depois, em 2019, o país testemunhou a tragédia do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, situada em Brumadinho (MG), de responsabilidade da mineradora Vale. De acordo com o MPF, além de contaminar água, solo, vegetação e animais, o desastre matou 259 pessoas e deixou 11 desaparecidas.

Atuação da engenharia civil

O trabalho de engenheiros civis auxilia na prevenção de desastres naturais e não naturais. Quando atuam na Defesa Civil, os profissionais são responsáveis por mapear as áreas de risco de uma localidade. Já nas empresas, trabalham na gestão de riscos dos projetos.

Por meio dos conhecimentos matemáticos, como a aplicação das derivadas de funções com o coeficiente angular da reta tangente, é possível fazer cálculos que permitem realizar intervenções capazes de prevenir e mitigar riscos.

No campo da hidrologia, o engenheiro pode antecipar medidas para obras de drenagem. Já o estudo dos solos possibilita ao profissional identificar áreas de risco em que a ocupação deve ser evitada. Também cabe a ele avaliar os danos após um desastre para que sejam traçadas as ações de recuperação.

De acordo com o Instituto de Engenharia, o trabalho de gerenciamento e controle de riscos feito pelos profissionais também é capaz de impedir que tragédias como a de Mariana e Brumadinho se repitam. Para isso, segundo o órgão, além de cumprir a legislação vigente, é necessário que as empresas tenham um plano emergencial e realizem ações de monitoramento contínuo.

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